Todo mundo tem sorte (e azar) na vida. Mas isso não acontece
por acaso. É uma mistura de matemática e psicologia - da sua atitude
diante das coisas. Sim, você pode mudar a própria sorte. Comece agora
No dia 19 de maio 2012, 62 500 torcedores viram o jogador holandês
Arjen Robben, do Bayern de Munique, ajeitar a bola a 11 metros do gol de
Petr Cech, do Chelsea. O cronômetro marcava 4 minutos da prorrogação da
final da Copa dos Campeões da Europa, e Robben tinha a chance de marcar
um pênalti que provavelmente daria o título a seu time.
Pênalti é loteria, dizem. Quem chuta tem o controle da situação, mas
para o goleiro tudo depende do acaso. Ele pouco pode fazer além de
treinar seus reflexos e tentar adivinhar o canto onde a bola vai. Robben
correu e chutou rasteiro no canto esquerdo - bem nos braços do goleiro.
Será que Cech teve sorte de adivinhar o lado? O jogo foi para os
pênaltis, e ele mostrou que era mais do que isso. Em 5 cobranças,
defendeu duas - e acertou o canto escolhido pelo batedor em
absolutamente todas. É impossível ter mais sorte do que isso em um jogo
de futebol.
Sorte? Cech revelou seu segredo ao final do jogo. Ele tinha um DVD com
todos os pênaltis batidos pelo Bayern desde 2007. Ao longo desses anos,
Robben certamente não mandou a bola sempre no mesmo lugar. Cada vez ele
chutava de um jeito, numa sequência de variações aparentemente
aleatórias. Só que, estudando dezenas de cobranças, o goleiro percebeu
que não era bem assim. Notou que Robben tinha ligeira preferência por
chutar rasteiro e no canto esquerdo. Uma tendência discreta, que jamais
chamaria a atenção - a não ser que você tivesse a paciência, como Cech
teve, de estudar 5 anos de cobranças. Ele encontrou um padrão no que
parecia aleatório. E, a partir dele, constatou: a chance de que a bola
fosse baixa e no canto esquerdo era maior. Pulou nessa direção e pegou o
pênalti.
Sorte é acaso. Mas você pode influenciar esse acaso a seu favor: basta
encontrar alguma lógica naquilo que parece aleatório. É mais fácil do
que parece, mesmo porque o ser humano já vem fazendo isso há muito
tempo. Veja a questão do clima, por exemplo. Num dia chove, no outro faz
sol. Essa alternância não tinha nenhum sentido para os homens das
cavernas. Parecia apenas uma questão de sorte. Mas aos poucos, nossos
antepassados foram decifrando a lógica daquilo. A humanidade inventou o
primeiro calendário, e a partir daí percebeu que existiam anos, meses e
estações, épocas em que a probabilidade de chover ou fazer sol é maior
ou menor. E isso permitiu que fizéssemos nossa primeira grande invenção:
a agricultura. Sabendo a melhor época do ano para plantar e colher, o
homem se tornou capaz de produzir a própria comida. Analisou o que
parecia indefinido (o clima), encontrou uma lógica naquilo (as
estações), calculou as probabilidades (de chuva ou sol) e as explorou.
Em suma: controlou a própria sorte. Isso aconteceu muitas vezes na
história (as grandes navegações, por exemplo, só foram possíveis porque a
humanidade encontrou lógica no movimento aparentemente aleatório dos
astros e das marés). E pode acontecer na sua vida.
Claro, sempre acontecerão coisas que parecem - e são - aleatórias.
Imagine que a sorte são bolinhas caindo do céu. Você não sabe quando
elas vão cair nem de que lado. Mas se construir um funil bem grande, a
chance de pegar as bolinhas será maior. Como construir esse funil?
Reunindo o máximo possível de informações sobre cada situação e
calculando as probabilidades envolvidas. "A previsão fica melhor
conforme você tem mais informações sobre o fenômeno", diz Jason Gallas,
professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor em
Teoria do Caos, ramo da ciência que estuda o acaso.
Tudo é uma questão de probabilidade. Suponha que você more em São Paulo e
tenha um carro. Pode ter o azar de se envolver num acidente de
trânsito, e até, azar supremo, morrer em consequência dele. Cruz-credo.
Para esquecer o sinistro trânsito paulistano, que tal relaxar nas belas
praias de Vitória, Espîrito Santo? Afinal, que sorte, as suas férias
estão chegando. Sorte? No caso, você deu azar: em Vitória, a chance de
morrer em decorrência de acidentes de trânsito é 3,4 vezes maior do que
em São Paulo, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O
que parecia sorte (descansar na praia), na verdade, pode ser um foco de
azar. Muito do que entendemos por sorte e azar depende das informações
que temos sobre o que acontece a nosso redor. Veja o caso da americana
Marilyn Vos Savant, que nos anos 80 entrou no livro Guinness dos
recordes como a pessoa com o maior QI já registrado até então (228).
Nessa época, ela começou a assinar uma coluna chamada Ask Marilyn
("pergunte a Marilyn"), meio parecida com o Oráculo, da SUPER. A coluna
era publicada em mais de 300 jornais e revistas mundo afora.
E, em setembro de 1990, Marilyn recebeu uma pergunta que a tornaria
ainda mais famosa: "Os participantes de um programa de auditório podem
escolher entre 3 portas. Atrás de uma delas, há um carro. Atrás das
outras, há apenas cabras. Depois que um dos participantes escolhe uma
porta, o apresentador, que sabe o que há atrás de cada porta, abre uma
das que não foram escolhidas, revelando uma cabra. Ele então pergunta ao
participante: `Você gostaria de mudar sua escolha para a outra porta
fechada? Para o participante, é vantajoso mudar?"
A resposta parece óbvia. Cada uma das portas restantes tem 50% de chance
de ser a que esconde o carro e, portanto, tanto faz se você mudar ou
ficar no mesmo lugar. Mas Marilyn respondeu que era mais vantajoso
trocar de porta. Foi um escândalo. Ela recebeu mais de 10 mil cartas,
quase todas dizendo, basicamente, que seu QI altíssimo era uma fraude.
Até professores de matemática pediram, enfurecidos, que ela se
retratasse. A repercussão foi tanta que o caso ficou conhecido entre
matemáticos como "o problema de Monty Hall", já que a pergunta havia
sido feita com base no programa Let's Make a Deal ("Vamos Fazer um
Acordo"), game show apresentado por Monty Hall na TV americana.
Vamos à explicação de Marilyn: quando você escolhe uma das 3 portas, sua
chance de ganhar o carro é de 1/3. Isso significa que a probabilidade
de encontrar uma cabra é 2/3, ou seja, o dobro. Acontece que essa
probabilidade, embora não pareça, se mantém a mesma depois que o
apresentador abre uma das portas (mesmo porque o carro continua no mesmo
lugar). Se você tiver escolhido a porta certa (probabilidade de 1/3) e
mudar, perderá. Mas se você tiver escolhido uma porta errada
(probabilidade de 2/3) e mudar, ganhará. Então, se você mudar, sua
chance de ganhar se torna duas vezes maior do que a probabilidade de
errar de novo. A história do programa comprovou a tese. Houve duas vezes
mais ganhadores entre aqueles que mudaram de porta do que entre os que
mantiveram a escolha inicial.
Conclusão: você pode aumentar suas chances se conhecer as probabilidades
envolvidas, e arriscar na vida pode ser uma boa ideia. Mas o que
significa arriscar, exatamente? No dia a dia, é ter a coragem de fazer
algo aparentemente muito simples: se comportar como se você fosse uma
pessoa de sorte.
COMO ATRAIR A SORTE
Sorte não é uma coisa mágica, que abençoa algumas pessoas e outras não. A
rigor, ela é a mesma para todo mundo. Numa experiência que ficou
famosa, o psicólogo inglês Richard Wiseman foi a um programa de
televisão inglês que tinha 13 milhões de telespectadores e pediu: se
você é muito sortudo ou muito azarado, entre em contato. Um milhão de
pessoas respondeu, e as mil primeiras receberam um formulário que
permitiria aos pesquisadores classificá-las como sortudas ou azaradas.
Nesse formulário, os voluntários também deviam fazer uma aposta na
loteria. A tese do pesquisador era a seguinte: se os sortudos possuem
algum dom "divino", sobrenatural, extrassensorial ou qualquer coisa que o
valha, eles se sairiam melhor na loteria - que depende apenas da sorte
pura e simples. Pouco mais de 700 pessoas responderam. Dessas, apenas 36
acertaram algum número da loteria - igualmente separadas entre sortudas
e azaradas. Duas pessoas acertaram 4 números e ganharam 58 libras. Uma
se considerava sortuda e a outra azarada. Empate. Ou seja: todos temos a
mesma chance de ter sorte. Só achamos que somos diferentes uns dos
outros. E isso acaba nos tornando diferentes.
Ou seja: uma pessoa é sortuda porque se comporta de maneira sortuda.
Como coisas boas acontecem para quem age com otimismo e está aberto às
oportunidades, os sortudos se beneficiam de um ciclo virtuoso de sorte:
eles se consideram sortudos e, a partir dessa crença, agem do jeito
certo para aproveitar a sorte. O azarado se irrita na fila do
supermercado, evita conversas com estranhos e, quando aceita trocar
algumas palavras com alguém, frequentemente está preocupado com outra
coisa - a ponto de não perceber que está diante do amor da sua vida ou
de seu futuro empregador. Depois de jogar uma oportunidade fora, evita
passar debaixo de uma escada, uma superstição boba e vazia. Enquanto
isso, o sortudo aproveita a fila para bater papo (porque as pessoas que
se consideram sortudas, como ele, exibem em média 27% maior extroversão
em testes de personalidade). E descobre que o cara da frente está
vendendo um ótimo carro, justamente aquele modelo que ele queria, na cor
que ele queria, e com um preço incrível. Mais tarde, ao contar aos
amigos, diz que deu sorte de cair justo naquela fila. Percebeu? Em ambos
os casos, a situação e o contexto são exatamente os mesmos. Só muda o
que cada um fez deles. E esse é o segundo eixo da sorte: a capacidade de
transformar encontros casuais em situações positivas. Porque sorte é,
sim, uma questão de comportamento. Depois de realizar centenas de
entrevistas e submeter um grupo de pessoas a testes de personalidade,
além de acompanhar a rotina dos participantes do estudo através de
diários preenchidos pelos próprios voluntários, Richard Wiseman concluiu
que há uma consistência na sorte. Se ela fosse totalmente aleatória,
seria razoável supor que algumas pessoas terão sorte no amor, mas azar
no trabalho. Certo? Errado. Em seus testes, Wiseman descobriu que quem
se sentia azarado na carreira invariavelmente também estava mal
resolvido no relacionamento. E vice-versa: os abençoados nas finanças
diziam ter sorte na família. "Algumas pessoas parecem capazes de atrair
boa sorte, enquanto outras são um imã para o azar", explica Wiseman em
seu livro O Fator Sorte.
Existem 8 truques que comprovadamente ajudam a atrair sorte [veja quadro
ao lado]. Dedique-se a eles por algum tempo, como um mês, e você
certamente notará diferenças na sua vida. Vale a pena. "O esforço
pessoal é importante. Porque, por meio dele, você pode estar preparado
para tirar vantagem da sorte. Ou porque, tentando muitas e muitas vezes,
tem mais chances de ser ajudado por ela", diz o físico Leonard
Mlodinow, autor de um livro sobre os acasos do dia a dia (O Andar do
Bêbado) e, aliás, um sortudo sobrevivente dos atentados de 11 de
Setembro - ele teve o azar de estar no World Trade Center no momento dos
ataques terroristas, mas a sorte de conseguir escapar. Com determinados
comportamentos, é possível, sim, mudar a própria sorte.
Ela não é só isso, claro. Sorte também depende da genética: que é
influenciada por coisas que acontecem antes de você nascer, sobre as
quais você não tem controle. Você não pode mudar a genética - mas pode
aprender a tirar proveito dela.
SORTE DE NASCENÇA
O goleiro Petr Cech soube construir a própria sorte. Mas é claro que ele
também teve sorte ao longo da vida para chegar aonde chegou. Sorte de
nascer com os genes necessários para ser alto. E sorte de ter nascido no
mês de maio. Assim como a esmagadora maioria dos atletas de elite, Cech
passou por categorias de base, que são separadas por idade. Só que os
garotos que fazem aniversário num determinado ano sempre são agrupados
na mesma categoria. Na prática, isso significa que um menino que nasceu
no começo do ano leva vantagem física sobre os demais - simplesmente
porque, na prática, ele é mais velho. Quando era um garoto de 12 anos,
Cech provavelmente era mais alto e forte que seus companheiros, que
ainda tinham 11 anos e só iriam completar 12 no final do ano. E ele
soube tirar proveito disso. Quando olheiros viam Cech jogar, enxergavam
nele um rapaz mais preparado e o chamavam para times melhores, com
técnicos melhores. Aos poucos, o pequeno Petr se transformou num atleta
melhor que os colegas nascidos no segundo semestre. Uma vantagem
aleatória (data de nascimento) se transforma numa vantagem real.
Esse efeito foi observado pela primeira vez em meados dos anos 80 pelo
psicólogo canadense Roger Barnsley. Por acaso, olhando a planilha de
jogadores de um time júnior de hóquei, Barnsley percebeu que 51% dos
garotos haviam nascido entre janeiro e abril. O pesquisador decidiu
estudar o fenômeno e viu que ele se repetia por toda parte. Havia 5,5
vezes mais garotos nascidos em janeiro do que em novembro na liga júnior
de Ontario, no Canadá. Essa regra é uma espécie de lei não escrita dos
esportes. Sempre funciona. Por exemplo: na seleção de juniores de 2007
da República Checa, terra de Petr Cech, 76% dos jogadores faziam
aniversário nos primeiros quatro meses do ano e apenas 5% assopravam as
velinhas entre setembro e dezembro. Quer mais? Pegue a lista de
convocados para a Seleção Brasileira em maio. Dos 23 jogadores, apenas 4
(17,4%) nasceram entre setembro e dezembro. A maioria dos convocados,
14, faz aniversário no primeiro semestre (caso você esteja se
perguntando, Neymar é de 5 de fevereiro).
Outros elementos genéticos, como nascer alto e bonito, também influem na
sorte. Uma famosa pesquisa feita pela Universidade da Flórida constatou
que pessoas mais altas ganham mais: a cada 2,5 cm de altura, são US$
789 a mais por ano. E mulheres bonitas ganham 8% a mais que as medianas,
segundo um estudo feito pelo economista Daniel Hamermesh, da
Universidade do Texas. No caso das gêmeas Gisele e Patrícia Bündchen,
muito mais do que 8%. As duas são bonitas. Mas uma é mais bonita, e por
isso se tornou a modelo mais bem-paga do mundo, com patrimônio estimado
em mais de US$ 250 milhões. A outra não. Patrícia teve o `azar¿ de ser
gêmea bivitelina (geneticamente não idêntica) de Gisele. Mas soube
transformar isso em sorte: abriu a própria agência para administrar a
carreira da irmã.
A genética também está na base de muitas doenças graves, de alzheimer e
alcoolismo a câncer e problemas cardíacos. Se você nasceu com um DNA que
predispõe a essas coisas, deu azar. Mas pode transformar isso em sorte:
várias empresas, como a americana 23andMe (23andme.com), já oferecem
testes genéticos que podem ser feitos pelo correio: você envia uma
pequena amostra de saliva para a empresa, paga uma taxa de US$ 300 e
recebe os resultados em casa. Aí, se descobrir que tem propensão a
desenvolver alguma doença, pode começar o tratamento décadas antes de os
sintomas aparecerem, e com isso reduzir seu risco de ter problemas. "Eu
vejo a sorte e o azar acontecendo na minha frente todos os dias. A
verdade é que a sorte depende do acesso à informação e, a partir daí, do
cuidado com a saúde", diz o geneticista Salmo Raskin, da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná e um dos diretores da Sociedade
Brasileira de Genética Médica.
Tendo informação, é possível entender a própria genética e se adaptar a
ela. Sabe aquele seu conhecido que adora comer salada e, por causa
disso, nunca engorda? Provavelmente ele nasceu com a versão "boa" do
gene TAS2R38 - que regula a sensibilidade do paladar a determinados
vegetais, como brócolis, couve-flor e espinafre, e determina quão
saborosos eles são para a pessoa. Quem tem a versão ruim desse gene,
cerca de 75% da população, percebe certos alimentos como amargos, e não
gosta muito deles. Se você não gosta de salada, agora sabe o provável
motivo disso. E pode mudar a própria alimentação (que tal experimentar a
couve-flor grelhada?).
EFEITO BORBOLETA
Ok, você aprendeu que é importante calcular as probabilidades das coisas
- e que, para ter sorte, é fundamental se comportar como uma pessoa de
sorte. Mas sempre existirão coisas totalmente incontroláveis, puramente
dependentes do acaso.

A ciência faz um grande esforço para dar ordem ao emaranhado de ações e
reações da natureza. Mas a tarefa não é simples. Se fosse, você não
chegaria em casa ensopado depois de confiar na previsão furada feita
pela moça do telejornal. Nem sempre os padrões identificados no passado
podem ser aplicados no presente e, menos ainda, no futuro. Curiosamente,
foi logo um meteorologista, o americano Edward Lorenz, o primeiro a
perceber isso. Em 1961, ele tentou jogar num computador toda a
informação sobre as condições climáticas do planeta - e, se baseando
nisso, fazer uma previsão do tempo. Deu certo. Até que um dia ele
resolveu tentar fazer uma previsão mais distante. Imprimiu a última
simulação que tinha feito e começou uma nova a partir dos resultados
daquela, confiante de que o computador acertaria. Não foi isso o que
aconteceu. O clima se comportou de maneira totalmente diferente da
prevista por Lorenz, e por um motivo muito simples: a máquina armazenava
os dados de maneira mais complexa, com até seis casas decimais (como
0,293416, por exemplo), enquanto os dados impressos eram simplificados
para no máximo três casas (como 0,293). Lorenz se deu conta que
alterações quase insignificantes poderiam mudar drasticamente o
resultado final, e chamou isso de Efeito Borboleta: porque algo muito
pequeno, como o bater de asas de uma borboleta, poderia causar algo
muito grande, como um tornado em outra parte do mundo. Esse conceito
transformou o estudo do caos. Na vida, existem coisas que são realmente
imprevisíveis, e por isso impossíveis de influenciar. Nesses casos, nos
resta apenas interpretar os acontecimentos de uma forma que favoreça a
nossa sorte. Como Frano Selak.
Nascido na Croácia, Selak teve uma vida incrível. Escapou da morte 7
vezes, ao se envolver em acidentes graves a bordo de aviões, trens,
carros e ônibus. Mas sobreviveu a todos - e acabou ganhando uma fortuna
na loteria. Selak ficou conhecido na Europa como "o homem mais sortudo
do mundo". Na mais espetacular das disputas contra a morte, em 1963, o
croata estava voando em um avião. De repente, uma porta abriu sozinha.
Os passageiros foram ejetados e despencaram para a morte. Dezenove deles
morreram. Frank? Caiu bem em cima de uma pilha de feno, e se salvou.
Mas, provando que sorte sempre é uma questão de interpretação, o croata
se achava um azarado. "Nunca pensei que eu era sortudo por ter
sobrevivido. Eu achava que era azarado de estar envolvido nos
acidentes", disse a um jornal britânico. Trinta anos depois, ele ganhou
na loteria, comprou uma ilha privada e viveu com luxo por anos. Até que
percebeu que o dinheiro não lhe trazia felicidade e decidiu doar tudo,
vender a mansão e se mudar para uma residência modesta com a quinta
esposa. Selak só começou a se considerar sortudo depois de conhecer a
mulher atual. "Todos os outros casamentos foram desastres", disse.
Outra história ajuda a mostrar como o que interessa não é ganhar ou
perder, mas o modo como encaramos os fatos. No início deste ano, os
moradores da vila de Sodeto, na Espanha, fizeram um bolão para jogar
numa espécie de Mega-Sena acumulada, o maior prêmio da loteria
espanhola. Um membro de uma associação local bateu em cada uma das 70
casas do vilarejo para vender os tíquetes. E, para sorte geral, todos os
250 moradores ganharam na loteria. Exceto Costis Mitsotakis. O
funcionário havia esquecido de oferecer o bolão para ele. De uma hora
para outra, todos os conhecidos de Mitsotakis estavam ricos, menos ele.
Mas o grego, que estava tentando vender um terreno, sem sucesso,
percebeu que a riqueza dos vizinhos podia lhe beneficiar. Logo recebeu
duas propostas. Transformou o azar em sorte.
O que é o mesmo que dizer que você pode conhecer a pessoa da sua vida
porque perdeu um voo - ou perdê-la porque conseguiu embarcar no avião e
ela não. Então, da próxima vez que você der de cara com um embarque
encerrado, pegar uma fila, tropeçar na rua ou se deparar com algum
contratempo que pareça azar, lembre-se: pode ser seu dia de sorte.
Você tem sorte?
Responda às perguntas deste teste, Baseado nas teorias do psicólogo inglês Richard Wiseman - especialista no estudo da sorte
SORTE
Com que frequência você ganha em sorteios?
Você costuma encontrar pessoas que possam lhe ajudar de alguma forma?
Com qual frequência a sorte lhe ajuda a conseguir alguma coisa?
Some as respostas e divida por 3 para obter sua média de sorte.
AZAR
Com que frequência você perde em competições, sorteios e jogos?
Com que frequência sofre acidentes?
Com que frequência você tem azar?
Some suas respostas e divida por 3 para obter sua média de azar.
RESULTADO
Subtraia sua média de azar pela média da sorte. Depois, compare com a escala abaixo
-3 : Você é azarado. Mas pode mudar isso. Veja as dicas abaixo.
-2/ -1 / 0 / 1 / 2 : Você está na média - não pode se considerar especialmente sortudo nem azarado.
3 : Parabéns, você tem mais sorte do que as outras pessoas. Aproveite.
Aja como uma pessoa de sorte
As pessoas que se consideram sortudas têm algumas características em comum - que você pode facilmente adotar na sua vida
1. Multiplique as chances
Sabe aquele conhecido que vive ganhando em promoções? Ele ganha porque joga. Participe mais de concursos.
2. Seja sociável
Quanto mais pessoas você conhecer, maior é a chance de que alguma delas traga boas notícias - como uma oferta de trabalho.
3. Tenha calma
Se você vive correndo, jamais terá a sorte de notar aquela nota de R$ 50 dando sopa na calçada.
4. Busque o novo
Faça coisas diferentes. Com isso, sua chance de ter sorte se torna estatisticamente maior.
5. Aceite o acaso
Não tente ser racional o tempo todo. Aceite que a vida tem coisas aleatórias.
6. Medite
Ajuda a tomar boas decisões, o que é essencial à sorte. Um estudo constatou que as pessoas sortudas meditam com mais frequência.
7. Acredite
Se você não acredita que vai encontrar sua cara-metade, provavelmente não vai encontrar mesmo. Seja otimista.
8. Não dê bola para os números
Queria se candidatar a um concurso concorridíssimo, mas desistiu porque a
chance era pequena? Ao desistir ela passou a ser de 0%. E facilitou a
vida do sortudo que conquistou a vaga.
Transforme o azar em sorte
Você terá azar de vez em quando. Mas, quando isso acontecer, esteja preparado
1. Seja positivo
Quando você está no banco, assaltantes entram e atiram e acertam seu
braço de raspão. O azarado reclama de estar ali. O sortudo comemora ter
se salvado por pouco.
2. Pense a longo prazo
Talvez você seja demitido hoje, mas encontre um trabalho melhor amanhã - oportunidade que só notou porque estava desempregado.
3. Não se lamente
Ficar pensando no pneu furado não fará com que um novo apareça magicamente no lugar dele.
4. Seja ativo
Analise objetivamente a situação de azar, e mude sua conduta a partir
disso (encha menos o pneu ou tente evitar ir ao banco, por exemplo).